A convite da chefia da Tropa Sênior-Guia (sim, as tropas deles são mistas) do Grupo Escoteiro do Mar Amigo Velho, de Curitiba, fui fazer uma jornada de tropa com eles. Éramos em 21 pessoas (16 sêniores e guias, 3 chefes e 2 pioneiras). O objetivo deles era promover a integração da tropa (eles fazem esta jornada a cada 2 ou 3 anos, uma jornada para cada geração) e o meu era pegar as dicas de um novo local de atividade para nosso grupo.
O PERCURSO
Nossa jornada (ou melhor, acampamento volante), começou em Cananéia, na sexta-feira cedinho, de onde partimos de barco para a Ilha do Cardoso. Lá, atravessamos a ilha e caminhamos alguns quilômetros para pegar um barco até a ilha de Saragói. Lá, caminhamos o dia inteiro (enfrentando marés baixas e altas) até chegarmos à casa do seu Antônio e da dona Jandira, onde dormiríamos (pelas nossas contas foram uns 15 km).
Lá, fizemos uma atividade de reflexão sobre valores e, depois, separados por sexo, uma atividade de integração, amizade e cumplicidade. Os meninos foram com os chefes deles e as guias comigo e com as pioneiras. Foi um momento muito especial. Estávamos completamente no escuro (lua nova), em uma praia deserta. Nós, as mulheres, neste quesito, fomos abençoadas: abriu-se uma nuvem bem em cima de nós e ficamos ali, sob um manto de estrelas. Depois de um fogo de conselho informal, em que todo mundo improvisava músicas, fomos dormir (sim, tenho novas músicas para nosso repertório).

No outro dia, caminhamos cerca de 35 km, debaixo de sol, até a Vila de Saragói, onde dormiríamos em um camping. Caminhávamos por uma hora e parávamos 15 minutos para descansar (estava MUITO quente). Sim, teve momentos em que eu me perguntei que raios eu estava fazendo ali. Nessas horas, eu me lembrava de que minha mochila da jornada era muito mais leve do que minha mochila de equipamentos que eu carregava todos os dias no Jamboree, então digamos que eu voltava a sorrir rapidamente.
;-) Duas paradas foram especiais: numa, com o sol a pino, encontramos um filhotinho de foca. Na outra, de tardezinha, tomamos banho de mar.
Chegar à vila foi um alívio. No fim do dia, depois do banho de mar, resolveu chover e, para ajudar, tivemos que atravessar uma lagoa. Ou seja, estávamos encharcados, cansados e fedorentos. No sábado, então, finalmente, pudemos tomar banho, ir a um banheiro de verdade, e comer comida. No outro dia, acordamos, tomamos café e pegamos um barco para Paranaguá e, de lá, voltamos todos para Curitiba. De Curitiba, eu voltei para Sampa.
SALDO
Eu nunca havia acampado, como chefe-convidada, sozinha com outro grupo. Foi muito interessante. Aprendi novas canções, novos sinais manuais de formação e, óbvio, por ser um grupo do mar, jargões marinheiros…
Fiquei admirada como a tropa deles é extrovertida, divertida, cheia de iniciativa e acolhedora! É uma tropinha feliz, como diz o Joca, meu amigo e assistente da Tropa Sênior-Guia do Amigo Velho. O simples fato de ser uma tropa mista já é MUITO bacana e dá para ver uma grande diferença com tropas de um único sexo. A característica mais óbvia é que as meninas são menos frescas e os meninos são mais sensíveis (no bom sentido). E outra: eles realmente são amigos. As patrulhas são mais unidas e eles não perdem tempo: dividem as tarefas e cada um faz a sua parte. Ao mesmo tempo, eles não param de brincar, de conversar e… por mais que haja o grupinho favorito de amigos de cada um, eles realmente são enturmados. Não há panelinhas. Realmente me senti privilegiada de ter compartilhado esses momentos com eles.
Além disso, foi a primeira vez que integrei meu trabalho ao escotismo de forma tão… harmônica! (risos) Todas as reportagens que tenho feito sobre corrida me ajudaram muito nesta viagem: usei a auto-massagem para pernas e pés; fiz treinamento mental e estabeleci pequenas metas para “sobreviver” ao sol a pino batendo na areia e refletindo em mim; usei tudo o que aprendi sobre impacto e corrida em diferentes tipos de terreno e dei graças por ter as camisetas termo-regulatórias da Running Show… foi fantástico! Jornalismo de corrida também é cultura.
Ah, sim, voltando…. peguei as dicas de caminhadas por lá. E recomendo!
Apesar de ser 99% do tempo uma simples (mas bem selvagem) caminhada na areia da praia (ou seja, no plano), é justamente por essa simplicidade que podemos explorar temas como superação de limites, espiritualidade, valores, diferentes culturas e realidades, miséria (a pobreza dos pescadores é de cortar o coração), altruísmo e promover uma maior integração entre a a tropa ou patrulha. Há a possibilidade de fazer caminhadas mais curtas também, na Ilha do Cardoso e em Iguape (onde fiz meu acampamento volante de guia).
Para agradecer a amizade e a acolhida, deixei pacotinhos com distintivos e chaveiros do nosso grupo para a chefia. E quando quiserem fazer alguma atividade (inclusive náutica) com um grupo do mar, eles estão super-abertos.
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